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01/06/2012

Momento Azul 004 - TGO


  MOMENTO AZUL __________ .  


28 Segundos. - Por TGOZazatt


Nossos treinamentos não foram os mais completos e muito menos éramos os melhores atletas afinal, na escola que estudei durante quase todos os anos escolares até concluir, não tínhamos quadra esportiva (e ainda não tivemos durante um bom tempo). Basquete nunca foi a paixão dos colegas e, sem quadra, as dificuldades relacionadas à prática - JUSTAMENTE DESSE ESPORTE - não eram as mais favoráveis.


Improvisamos um campinho de terra pra jogar futebol. A bola era improvisada. As traves também. As linhas do campo, pelo menos essas não eram improvisadas, elas somente não existiam. Era tudo no grito. Se a bola parecia sair do campo, quem gritasse mais alto tinha a posse. Pelo menos, dentre todos os males, éramos bons amigos, tínhamos entrosamento e sintonia constante. A escola era nossa casa. Era realmente onde queríamos estar.

Houve o anúncio de que haveriam jogos escolares inter-colégios. As inter-classes daquele ano incluíam esportes atléticos, coletivos e individuais. Seriam realizados num clube bem amplo, num ambiente saudável e todos os alunos tinham a oportunidade de formar suas equipes e participar.


Ví meus amigos mais rápidos se inscreverem logo nas corridas. O time de futebol de salão logo estava formado. As meninas, num esforço que não havia sido necessário antes, se juntaram para um time de volley. Até o ciclismo estava representado (pena que eu não tinha bicicleta - e ainda demoraria pra ter uma). Aquilo que sobrou para os alunos menos destacados esportivamente foi Basquete. Não sabíamos as regras, nem o número de jogadores, não tínhamos bola, nem quadra, nem treinador. Só tínhamos vontade de participar em alguma coisa - e, para todas as outras, estávamos automaticamente excluídos.

DÍNAMO. Foi o nome que escolhemos para o time. Os seis mais amigos, mais próximos, sem uniforme e com a alegria de fazer parte do próximo evento esportivo que mudaria nossas vidas. A explicação para o nome veio do professor de química (que também era professor de física e biologia) - dínamo era uma máquina, um tipo de captador que recebia energía mecânica e era capaz de transformar em energia elétrica. Uma espécie de transformador. Escolhemos o desenho de uma águia, com um RAIO nas garras. (Mas, não tínhamos dinheiro pra pintar em lugar nenhum. Era apenas um desenho que habitava nossos pensamentos).


Logo conseguimos a teoria. Emprestamos uma bola. Estávamos doidos de vontade e de ansiedade. Só faltava a quadra. Alguém disse que poderíamos usar a quadra pública mais próxima, em horários pré-determinados, UMA VEZ POR SEMANA. OK. Eram três treinos e nada mais. Aquela sensação de moleque que pensa em ser herói abalando as estruturas de tudo o que possa ser normal e alcançando, finalmente, a alegria de vencer em alguma coisa que seja - TUDO ISSO - estava em nossos corações.


Da teoria à prática. O Dínamo se apresentou na quadra de jogo e logo alcançou a primeira vitória. Histórica. Fantástica. Por W.O. (dábliu-ó) - Abreviatura da expressão inglesa "walk-over", que significa vitória de um time por não comparecimento do adversário. Ok. Claro, não foi tão lindo assim, nem jogamos. Estávamos lá esperando o massacre e sobreviveríamos um pouco mais. Alguém tinha se compadecido de nós e ganhamos 6 camisetas regatas brancas, tamanho único, com costura por fora na cor AZUL. A ressalva do tamanho único é válida para quem quiser imaginar a cena - éramos muito diferentes. Agora era esperar pela próxima partida a fim de conhecer o adversário do segundo jogo - nos sentamos à beira da quadra, e babamos.


Os dois times jogavam BASQUETE. Nós estávamos bem distante disso.


Foi um jogo muito lindo de se ver, emocionante. Estávamos felizes demais com aquele momento. A expectativa estava agressiva dentro de nós. Me lembro disso... me lembro da respiração, da sede, das mãos suando, dos braços tremendo. Fim de jogo. 32 a 27. Um placar que dava a noção de quanto (do quanto?) éramos ruins. Mas nada disso diminuía a vontade.


Finalmente tínhamos um adversário, presente e que nos daria a honra de JOGAR BASQUETE. Na minha cabeça (pode ser que não tenha sido bem assim mas,) na minha cabeça (repetiu, é pra ser assim mesmo?), todo o colégio parou pra ver nosso jogo. Tínhamos ar de jogadores, pinta de jogadores, garra de jogadores... só não éramos jogadores. Era a final de um micro-campeonato com a sensação de final da NBA (Liga de Basquete Americana!). Dois tempos com 20 minutos cada... muita correria, lutávamos por cada bola, caíamos e logo estávamos em pé. 1 Jogador era o reserva - assim mesmo, todos jogaram o mesmo tempo.


Agora, faltava pouco pra acabar o segundo tempo de jogo. Dois minutos finais e o incrível placar de ZERO a ZERO. Sim, acreditem! Não tínhamos feito nenhuma conversão de pontos... a bola até ia em direção ao aro... batia nele, às vezes - mas nunca entrava. Estávamos exaustos. Moídos. Todos queriam ser o RESERVA. Ao mesmo tempo, não havíamos levado nenhuma cesta, nem cometido nenhuma penalidade e estávamos dando o maior trabalho ao adversário. 6 moleques, cada um com sua dificuldade, com os problemas da idade, com os complexos... os sem-quadra! O Dínamo que estava disposto a transformar a energia da vontade em vitória. Mas, ainda nos faltava 1 ponto.


28 segundos. Falta. Nosso Dínamo tinha a chance de converter DOIS pontos, um em cada lance livre. Tentamos que o melhor do time pudesse fazer a cobrança. Não dava. Essa parte das regras não foi favorável ao nosso time. Tinha que ser arremessada por aquele que sofreu a falta. O pior de todos nós. Com ares de Hortência, Oscar e Magic Paula, ele foi à linha no garrafão, se preparou, suspirou, levantou e abaixou os ombros, lançou... a bola parecia voar em câmera lenta. Teve o capricho de tocar o aro, rodopiar e cair. PRA FORA!


As lágrimas vinham aos olhos, insistindo pra cair. Era emoção demais pra gente. Lembrávamos de todos os sacrifícios do último mês. O segundo lance era a última jogada do jogo. Era pouco tempo pra se defender, tomar a bola e marcar uma cesta - caso errássemos. Era o tal do "tudo ou nada". Eu quis olhar. Os outros não queria nem ver. O mesmo ritual, o mesmo suspiro, o mesmo lançamento... CEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESTA!


1 ponto. Apenas e tão somente 1 pontinho. O jogo não havia terminado ainda, 28 segundos pra quem ataca pode ser o suficiente, mas pra quem defende é uma ETERNIDADE. Quando o juiz apitou terminando o jogo, não tinha mais cansaço, nem medo, nem desânimo que nos fizesse cair. Pulávamos e nos sentíamos heróis de verdade. Aqueles que venceram as dificuldades, as situações e as opiniões. Éramos campeões Inter-classe de Basquete - SEM QUADRA. Ganhamos por 1 a ZERO.


Ainda fomos um time por mais algum tempo. Tempo. Tempo que corre muito mais veloz do que aqueles 28 segundos. Tempo cruel que endurece as pernas, os braços e traz cãibra ao coração. Ainda somos amigos. Dividimos lembranças como essas. Pessoas bem sucedidas, adultos, íntegros. Mas que dariam a vida pra poder voltar ao velho Dínamo. Energia mecânica de um coração que bate transformando tudo em SAUDADES.

Thiago Zazatt - Não é fotógrafo. Apenas coleciona emoções, sentimentos e sensações que as fotos podem carregar. É marido da dona desse blog, está passando apenas pra falar isso e pode voltar à qualquer momento. A ordem era contribuir... aos poucos vou contribuindo.


PS. Eu estava nesse jogo - Vivi cada segundo, inclusive os últimos 28. Éramos o Dínamo e tudo aí é verdade. Rodrigo Francisco, Alex Souza (in memorian), Héber Almeida, Jurandir de Lima Jr e Luis Paulo da (Sa) Silva. Vivemos esses e outros momentos que nos enchem os olhos só de lembrar. Que essa história inspire você em todos os seus jogos. TGOZazatt.